sexta-feira, 27 de junho de 2008

Oração ao desejo

Não querido desejo, hoje não. Hoje deixo o ontem levar o que apenas a ele pertence e passo intacta pela armadilha de querer eternizar aquele tal momento ou sensação. Escolho caminhar de coração leve, sem me aprisionar às tão queridas lembranças que fingem-se de bom alimento à minha alma. E por falar em alma... dance ao vento, sopro de vida que em mim habita! Deixo-te livre do árduo trabalho de aprisionar outras almas. Hoje todo saboroso e perfumado momento morador do passado não receberá visitas. Não querido desejo, hoje não. Hoje tu definitivamente perdeste-me para o agora. Amém.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Circo colorido

Circo colorido, na beira da esquina
Circo colorido, de minha cidade de menina

Circo colorido, aí dentro o que que tem?
Tem palhaço e alegria, e só volta ano que vem
Circo colorido, aí dentro o que mais tem?
Tem cambalhota e gargalhada, a corda bamba vai e vem

Circo colorido, aí dentro o que mais tem?
Tem carrossel de fantasias, e só volta ano que vem
Circo colorido, aí dentro o que mais tem?
Tem frio na barriga, o trapézio vai e vem

Circo colorido, deixe-me ver lá dentro o que que tem?
Menina... veja bem...

Circo colorido, aí não posso ir
Circo colorido, no meu sonho você vem?

Circo colorido, fecha o olho ele vem
Olha a colorida tenda... em sua porta de alegria a menina se adentra

Musica de risos, cabalhotas no ar
De roupas coloridas qualquer um pode voar
Bolinha vermelha salta de cá pra lá
É o nariz do palhaço que não consegue parar

O olho? Estatalado do tamanho do elefante!
E (respirar...) que respiração ofegante!

Mas o espetáculo já vai acabar
Amanheceu o dia, tem que acordar
Pula da cama a trapezista menina
Continua a alegria quando o circosonho termina

Circo colorido, no meu sonho ele vem
Corre a menina contar, lá dentro o que que tem

Musica de risos, cabalhotas no ar
De roupas coloridas qualquer um pode voar
Bolinha vermelha salta de cá pra lá
É o nariz do palhaço que não consegue parar

O olho? Estatalado do tamanho do elefante
E (respirar...) que respiração ofegante!

Contato

contato com tato contato com tato contato com tato contato com

Sabor saber

Sabor
Saber da língua

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Vou eu beijar esse chão

Se houver uma próxima vida
Peço a Deus nascer no sertão
Andar no canavial
Olhar no olho do irmão

Beber da tristeza da seca
Sem nunca maldizer o meu chão
Agradecer a Deus todo dia
Por meu pequeno quinhão

Mas nesta vida ainda
Vou eu beijar esse chão
E lavarei a mão calejada
De um trabalhador do sertão

Deus não me nasceu no sertão
Mas, na voz dos poetas
Sua gente e sua terra
Nasceu no meu coração

Até aqui

Até aqui, sagrados meus passos
Sagrados caminhos, sagrados abraços
Sagrados descompassos
Caminhando, caminhando
Fiz, desfiz e refiz laços
Caminhando, Caminhando
Encontrei o começo de outro passo

terça-feira, 10 de junho de 2008

Existir, verbo intransitivo

Tantas lições e ainda não me convenci de que existir, verbo intransitivo, conjunga-se sem complemento. Logo eu, que me considero até relativamente boa na Lingua, deveria não mais insistir em querer só existir com o outro ou para o outro. Existo porque existo, digo a mim mesma, com ou sem testemunhas e mesmo sem complemento. Que lição difícil! Todo dia tento...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

hoje acordei

Hoje acordei e resolvi resistir ao impulso de consertar o que disse ontem e que depois julguei ter dito errado. Decidi ficar com o errado, respirá-lo. Descobri então que não havia nada de errado além de um tolo medo de não gostarem do que sou nas palavras que saem de minha boca. Não! Não vou sanar as consequências de minha espontaneidade, vou vivê-las como que vivendo uma verdade que quer fluir de dentro de mim ou quer mudar dentro de mim, não mais fora, que por fora nada se pode mudar. O lado de fora é lugar de remendos. Escolho, então, tecer pelo lado de dentro.