terça-feira, 26 de maio de 2009

o que é real?

Caminho a passos lentos na minha estrada de todo dia. Desejo de enraizamento. Tentantiva de no próximo passo descobrir tudo o que não sei sobre mim. Quem sabe a paisagem torta do cerrado possa me dizer? Quem sabe um evento natural, um sinal, me informe o sentido de estar aqui? Olho o céu, e a questão fundamental ressoante: quem sou eu? E a questão seguinte: como nós, humanidade, suportamos nos esquivar desta pergunta? Constatação dilacerante. Mas a rotina me espera, e não sou de fugir. Retorno. E já não me é possível mergulhar sem agonia na névoa do auto-engano. E no meio de tudo o que me cerca não cessa a pergunta: o que é real? O que é real? O que é real?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

precisão

desejo um dia verde-maçã, risos e leveza, essências suaves, toques em número não mais que o suficiente, uma distância que me permita sentir-me individual, nada que exceda à delicadeza dos meus sentidos, sons muito suaves, silêncios quebrados por milagres, respingos de chuva passageira em meio ao sol, sombra de árvore, ouvir minha respiração, movimento de pálpebras, cuidado de amor, troca de gentilezas silenciosas.