sábado, 13 de março de 2010

Cuidados criados


Tem uma coisa que você não sabe sobre mim. Vez em quando vou ao mercado e compro flores. Rosas brancas e às vezes cor de rosa bem claro, com tons de verde. Corto seu talos, coloco-as em um vazo e adorno o criado à cabeceira de minha cama. Olho para as flores e sinto-me feliz. Feliz por me oferecê-las e mais feliz ainda porque elas existem. E existiriam mesmo se eu não as oferecesse à mim. 
Também experimento ir mais além: me aproximo e passo meu rosto em suas pétalas, sinto seu frescor e seu perfume. Não sei o que é melhor: gostar de flores ou cuidar de mim. Só sei que sou mais feliz depois que aprendi a viver assim.


sexta-feira, 12 de março de 2010

Adornos para o dia-a-dia

Há vezes em que o dia está menos bonito do que deveria. Então, entre um afazer e outro, cubro-me de encantos simples, adorno-me com poesias, com dança, com traços a lápis de cor, com o cuidar de minhas filhas e o admirar minhas amigas. Canto para, em minhas mãos, as louças dançarem misturadas com água e sabão. Ensaio melodias na kalimba, na flauta ou no tambor - não são os melhores toques, mas são os meus - e me vejo sendo feliz com estas mãos que o universo me deu. A gratidão preenche tudo. Assim, quando dou por conta, salvei-me da incapacidade de não ver a beleza do meu dia-a-dia.

terça-feira, 9 de março de 2010

A árvore das possibilidades

Por dentro também sou saudade e parte de mim vez em quando visita tudo aquilo que não colhi na árvore das possibilidades. Mas a cada dia vou aprendendo a amar minhas escolhas, afinal, não convém colhermos mais frutos do que somos capazes de saborear com total presença e paz, de forma que colher uma possibilidade significa, naturalmente, abrir mão de outras tantas. Assim, vou descobrindo, a cada passo, que apaziguar meu desejo é ser plena ao degustar o fruto que colhi. Afinal, saber quem sou e ser-me é a única possibilidade que é suficiente e está presente em todas as outras possibilidades.