sexta-feira, 8 de julho de 2011

Eu era uma vez...

Menina de uns treze anos, quando sentia o mundo pelo avesso como hoje e precisava de respostas, sem nem mesmo ter as perguntas, eu descia até o fim da rua onde morava, sentava numa escadaria e ficava olhando pra o céu noturno. Lá pelas tantas eu começava a cantar e a conversar com as estrelas. Não posso dizer que encontrava respostas, apenas saía de lá mais alimentada de imensidão e mais amiga dos des-sentindos. Quantas vezes fiz isso? Apenas sei que hoje precisava da minha escadaria de novo. Sentaria no terceiro degrau e sentiria aquele cheiro de esperança, o presente expandido e o medo diluído. Contaria-me sobre minha ingenuidade acerca do futuro. Acariciaria meus cabelos e faria-me uma trança. E quem sabe na volta pra casa, de novo, acabaria a luz, e a gente toda da rua reuniria-se nas portas de suas casas. A gente falaria de algo que não angústias ou à fazeres. Ah sim! Compartilharíamos algo engraçado sobre o dia que passou, sem pretensões. Poderíamos até nos sentar no meio-fio ou - os mais jovens - ter a idéia de atear fogo num bombril e girar. Aí, depois de ficar um tempo sem esperar nada, a luz voltaria e ouviríamos um grito geral de comemoração misturado com falas e risos. Eu entraria em casa e iria procurar algo pra comer naquela geladeira azul e descascada que às vezes me dava choque. Se desse choque, aproveitaria para chorar um pouquinho e ir deitar aliviada. Quem sabe antes de dormir eu abriria aquele livro incrível que tinha a descrição de orgasmo mais linda - científica e poética - que já li. Ficaria rosada e quente e depois adormeceria nos braços de minhas emoções suaves e despreocupadas.